
Nasci em 1961, em Cobilândia, bairro de Vila Velha, local onde moro até hoje. Sou o primeiro presidente reeleito da CUT-ES. Meu primeiro mandato foi de 2006-2009, quando então fui reeleito para uma nova gestão à frente da Central Única dos Trabalhadores aqui no Espírito Santo. Também faço parte da diretoria do Sindicomerciários/ES como suplente de diretoria e sou funcionário da Loja de Departamentos Dadalto, como vendedor de material de construção.
Ingressei na categoria comerciária aos 18 anos de idade, na Casa Marcos. Três anos mais tarde, em 1982, já empregado da Casas Santa Terezinha, ajudei a eleger a diretoria do Sindicomerciários/ES que romperia com o perfil patronal da entidade e inauguraria o período verdadeiramente identificado com a luta dos trabalhadores. A parti daí, trabalharia, ainda, na Mesbla, Itapuã e Dit, destacando-me nos campeonatos de futebol patrocinados pelo Sindicato.
A antiga militância aliada ao reconhecimento como atleta da categoria me levou a ser escolhido representante dos trabalhadores no comércio no estado no I Congresso Nacional dos Comerciários, que criaria o Departamento Nacional dos Comerciários da CUT, em 1990, atual Contracs. Naquele mesmo ano fui convidado a compor a chapa que concorreria e venceria as eleições do Sindicato para o triênio 1991/94. É nesta fase que se inicia minha luta como dirigente sindical como um dos tesoureiros da entidade.
Chegamos ao Sindicato sem qualquer intimidade com o trato da coisa sindical. Ansiosos, inseguros. Com o tempo, fomos tomando pé da situação do Sindicato. Observando e colocando em prática. Tentativas, erros e acertos.
Nas eleições seguintes, encabeçava a chapa para a direção do Sindicato. A partir de 1994 assumi a vice-presidência do Partido dos Trabalhadores de Vila Velha e a Secretaria de Imprensa da CUT-ES. Também voltei a ser a eleito como Presidente do Sindicato para mais dois mandatos (2000/2003 e 2003/2006).
É no ano de 2006 quando é lançado o livro sobre os 75 anos de história do Sindicomerciários. Mentor do projeto, desde quando cheguei ao Sindicato era o meu desejo construir uma fonte de consulta, uma memória do que se passou no Sindicato. Acredito que a produção de memória é um imperativo da sabedoria coletiva. É sinal de amadurecimento político e da vontade de um outro futuro, enriquecido com as lições do passado e potencializado pelo fundamental ato da reflexão no presente.
Minha trajetória também se construiu em torno de um combate incisivo contra o comércio aos domingos. A luta do Sindicomerciários contra o trabalho aos domingos inicia-se bem antes da edição da famigerada MP 1.539, editada em agosto de 1997 e que flexibilizou o horário de funcionamento do comércio em todo o país. Em março daquele ano, o Sindicato já realizava manifestações em frente ao Carrefour de Vila Velha. Naquele ano o hipermercado chegava ao estado com as portas abertas aos domingos e prometendo pleno emprego, geração de renda, vendas fartas e lucro fácil. Após a edição da MP o Sindicato mobiliza a sociedade civil organizada e realiza o primeiro grande ato em repúdio ao trabalho aos domingos, no Clube Vitória.
Na onda do Carrefour centenas de pequenos e médios supermercadistas viram-se obrigados a também abrir aos domingos temendo a concorrência. Nem as vendas se multiplicaram nem os lucros apareceram. O negócio não compensou.
Na última década a abertura do comércio aos domingos fez terra arrasada do comércio capixaba. Açougues, peixarias, mercearias, pequenos e médios supermercados foram fechados ou comprados por grandes redes. Muitos quebraram. Os sobreviventes continuaram abertos por honra da firma. O Carrefour também não conseguiu garantir o retumbante sucesso de empregabilidade que prometeu: em 2008 fechou as portas da unidade de Vila Velha.
Após 11 anos de intensa luta, então Secretário Geral do Sindicomerciários e presidente da CUT-ES, fui a público no final de 2008 anunciar na televisão a conquista do direito dos comerciários e comerciárias de supermercados utilizarem seus domingos para o descanso, o lazer, a prática esportiva, o exercício de atividades religiosas, à vida em família e o contato com os amigos.
Como presidente da CUT-ES (2006-2009) atuei na rearticulação da central sindical com os demais movimentos sindicais e sociais. Tão logo assumi a presidência da central sindical também coordenei o projeto que veio a publicar o livro sobre os 25 anos da CUT-ES. No carnaval de 2008, os 25 anos da CUT-ES também viriam a ser destaque através do samba-enredo da Unidos da Piedade.
Também sempre estevi entre aqueles que trabalharam para a demarcação de terras indígenas quilombolas e a criação da Coordenação dos Movimentos Sociais. Nesse sentido, em 1º de Maio de 2008, junto a demais representantes de trabalhadores, estive reunidos com o Governo Estadual capixaba.
Os representantes dos movimentos sociais se comprometeram a dialogar com o Governo e levaram uma pauta de reivindicação contendo 17 itens que atendiam as demandas dos trabalhadores urbanos, dos trabalhadores rurais e do movimento social.
“É um sinal de amadurecimento muito grande dos movimentos populares, que se uniram em torno do interesse público e se mostram abertos ao diálogo. Teremos discussões em todos os setores do Governo, acolhemos o debate e colocaremos nossa equipe à disposição para discutir idéias e sugestões que contribuam para o crescimento de nosso Estado”, afirmara o então vice-governador Ricardo Ferraço.
É ainda no final de 2008 que, para garantir um debate realmente sério e plural sobre a crise internacional, a CUT-ES discutiu e assegurou junto ao Governo do Estado, a criação de um fórum tripartite ( trabalhadores/ patrões/ governo) para discutir medidas possam vir a ser implementadas. Outro projeto realizado foi a realização de uma Plenária Estadual para discutir o impacto ambiental da Industria Baosteel que viria a ser instalada em Anchieta.
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